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CV Lattes

Pós-Doutorado

Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro (Programa Ciência da Literatura)
Período: Março de 2009 a março de 2010
Título do projeto: João do Rio: pintor da vida moderna

Doutorado

Universidade Estadual de Campinas. 2003. Orientadora: Vilma Sant´Anna Arêas. Tese: Entre Paris e Lisboa: a modernidade de Cesário Verde.
 

Áreas de interesse

Historiografia literária. Cidade e discurso literário, modernidade e discurso urbano, cidade e imprensa.
  

Projeto de pesquisa em andamento 

Cartografias urbanas: a Belle Époque e seus avessos, centros e margens (CNPq – 2013-2016).

Neste projeto, pretende-se estudar as construções discursivas acerca da cidade do Rio de Janeiro na Belle Époque e de seus personagens, expressas nas crônicas dos jornais que circularam no Rio de Janeiro no período de 1900 a 1920, tendo como foco principal os avessos da cidade, ou seja, privilegiaremos os textos que procuraram desvelar os acontecimentos que corriam a margem dos grandes salões da Belle Époque. Nesses avessos, incluímos a chegada das judias no Rio de Janeiro, os ciganos da Cidade Nova e os desdobramentos das Revoltas da Vacina e da Chibata ocorridas no início do século XX, os quais deram origem às deportações de revoltosos e de cidadãos das camadas mais populares para a Amazônia. Vale ressaltar que a cidade do Rio de Janeiro imortalizada pela pena dos escritores foi construída dentro de um discurso de exaltação das suas belezas naturais, criando assim, uma identidade própria para a cidade. Além disso, as construções discursivas tanto na esfera política como na literária criaram uma imagem de cidade cartão postal, imagem essa que permaneceu até os dias atuais. O estudo dessas construções discursivas encontra apoio nas reflexões de Bakhtin e de Fairclough, os quais defendem a natureza política e social do discurso, sendo que este pode ser manipulado segundo os critérios e interesses da classe dominante. O autor situa sua abordagem a partir de uma ampla visão acerca das relações sociais e busca interrelacionar importantes aspectos da análise textual e dos processos de produção e interpretação dos textos, dentro do contexto social dos eventos discursivos. Fairclough (2001) propõe uma teoria social do discurso e institui uma relação  dialética entre discurso e estrutura social, pois, para o autor, o discurso constitui “uma prática social”, tanto da representação quanto da significação do mundo, estabelecendo e auxiliando na construção de identidades sociais. Em Discurso e Mudança Social, Fairclough (2001, p. 90) afirma que ao  usar o termo ‘discurso’, considera “o uso da linguagem como forma  de prática social e não como atividade puramente individual ou reflexo de variáveis situacionais.” Nessa confluência entre o simbólico e o social, o discurso é instituído pelos seus participantes, assim também o são as identidades  sociais. É, pois, através do discurso que os sujeitos constroem suas identidades sociais e demarcam seus espaços no mundo (HALL, 2007). As identidades sociais não estão intimamente ligadas às pessoas nem são fixas; mas são construídas dentro do discurso durante os processos de construção de significados. Quando tomamos as imagens construídas nos discursos, relatos e crônicas, produzidos por intelectuais afinados ao coro de louvações da modernidade, podemos perceber que as elites absorveram os paradigmas de uma modernidade europeia, lançando mão do discurso republicano e com isso, a imprensa e a cidade adquiriram uma função civilizadora, capas de construir o futuro nacional. Dentro desse projeto de construção de uma “nação imaginada” o jornal alcançou grande relevo, tendo desempenhando papel significativo. Em seu livro Nação e consciência nacional, Benedict Anderson enfatiza que a nação é uma comunidade imaginada, sendo que suas fronteiras são pensadas e instituídas não por uma aproximação real entre os seus habitantes, mas por uma repartição arbitrária, constituindo, portanto “uma comunidade política imaginada – e imaginada como sendo intrinsecamente limitada e, ao mesmo tempo, soberana.” (ANDERSON, 2008, p. 32).  E é por meio dessa construção arbitrária que os habitantes vão identificar-se uns com os outros, fornecendo-lhes um sentimento de pertencimento, o qual vem acompanhado de um sentimento de nacionalismo. (ANDERSON,2008, p.106.).