Docentes


Prof. Dr. Paulo Cortes Gago

CV Lattes

Pós-Doutorado

Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Período: de Março de 2010 a Junho de 2010.
Título do projeto: A prática da formulação na mediação judicial familiar

Doutorado

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), 2002. Orientadora: Maria do Carmo Leite de Oliveira. Tese: A relevância da convergência num contexto de negociação: um estudo de caso de uma reunião empresarial na cultura portuguesa.

Áreas de interesse

Linguagem e Sociedade; Pragmática; Análise da Conversa; Sociolinguística Interacional; Análise do discurso; Linguagem, instituições e práticas profissionais; Intervenção de terceiras partes em situação de conflito; Entrevista psiquiátrica; Interação em sala de aula.  

Projeto de pesquisa em andamento 

A prática de formulação na mediação judicial familiar (CNPq – 2013-2016).

Este projeto investiga uma prática interacional que ocorre em todos os cenários de uso de linguagem humana: a prática de formulação. Garfinkel & Sacks, no seu texto seminal, em Etnometodologia, na década de 70, a definem como “ (...) a(s) prática(s) dos interlocutores de dizer-em-tantas-palavras-o-que-estamos-fazendo (...)” (1972, p. 171). Esta definição abarca dois sentidos: 1) quando alguém, por exemplo, pergunta: “você está me ameaçando?”, propondo uma leitura do que acabou de ser dito implicitamente; 2) ou quando uma mediadora, em nossos dados, devolve para uma medianda a seguinte fala, produzida por esta, na entrevista de pré-mediação: “[a senhora tá- querendo dizer então que o seu amir é um grande ator↓”. Em ambos os casos, a formulação tenta (re)stabelecer a intersubjetividade na conversa e é uma forma de os participantes calibrarem o que está ocorrendo no aqui e agora da interação. O ponto a ser ressaltado é que, em contextos profissionais, a formulação é usada para fins específicos, relacionados à tarefa-fim da instituição. No caso da mediação familiar judicial, a maioria dos manuais e textos produzidos por praticantes de mediação (e.g. AZEVEDO, 2009; SAMPAIO & BRAGA NETO, 2007; SOUSA, 2007) utilizam a palavra “ferramenta” para se referirem às atividades de recontextualizar, parafrasear e resumir, outras formas (não interacionais) de se referir à formulação, e a colocam em um lugar central na mediação, como a ferramenta do mediador que possibilitará a provocação de mudanças e saída do conflito, rumo a um possível acordo. A mediação em si como tema de pesquisa justifica-se pelo alto valor dado a formas auto-compositivas de resolução de conflitos na atualidade, como a mediação, conciliação, negociação assistida, etc. Pretendemos, então, a partir de um olhar interacional para dados de mediação familiar judicial, ou seja, aquela que ocorre no bojo de um processo judicial, mapearmos as funções da formulação nesse contexto e relacioná-la à prática profissional do mediador. O projeto lida com o momento inicial da teoria, seus seus desdobramentos imediatos (HERITAGE & WATSON, 1979, 1980; HERITAGE, 1985), e redescrições recentes (e.g. BILMES, 2011) em termos da diferença (re)formulação, no âmbito da Análise da Conversa Etnometodológica. A pesquisa trabalha na interface linguagem, instituições e profissões e possui inspiração de natureza aplicada, com vistas a possibilidade de mudança no contexto profissional estudado. Nosso banco de dados conta atualmente com cerca de 800 minutos de dados gravados em áudio. Acredita-se que a prática de formulação possa ser estudada por alunos de graduação e pós-graduação em diversos contextos profissionais, inclusive na sala de aula, reduto tradicional de pesquisa da Linguística Aplicada.

Projeto ligado ao Núcleo de Estudos sobre Discursos e Sociedades (NUDES).