Faculty


Prof. Dr. Paulo Cortes Gago


Pós-Doutorado

Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Período: março a junho do 2010
Projeto: "A prática de de formulação na mediação familiar judicial"

Instituição: PUC-Rio
Período: 01/03/2019 a 29/02/2020
Título do projeto: Moralidade e prática profissional na fala-em-interação: um estudo da mediação familiar judicial

Doutorado

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), 2002. Orientadora: Maria do Carmo Leite de Oliveira. Tese: A relevância da convergência num contexto de negociação: um estudo de caso de uma reunião empresarial na cultura portuguesa.

Áreas de interesse

Linguagem e Sociedade; Pragmática; Análise da Conversa; Sociolinguística Interacional; Análise do discurso; Linguagem, instituições e práticas profissionais; Intervenção de terceiras partes em situação de conflito; Entrevista psiquiátrica; Interação em sala de aula.  

Projetos de pesquisa encerrados

A prática de formulação na mediação judicial familiar (CNPq – 2013-2016)

Estudos interacionais de reclamações em contextos institucionais (2016-2019)

Projetos de pesquisa em andamento 

Moralidade na fala-em-interação: um estudo da mediação familiar judicial

Resumo: Este projeto debruça-se sobre a mediação como forma alternativa de resolução de disputas, cujo objetivo é fazer com que as partes cheguem a um possível acordo, de forma autocompositiva, sem a intervenção de um juiz, que decida por elas (SAMPAIO & BRAGA NETO, 2007). A fala de mediação pode ser considerada um tipo de fala de conflito, uma área distinta de pesquisa, como mostra claramente a coleção de artigos de (GRIMSHAW, 1990a), em que as partes negociam divergência de posições, daí o conflito. Varas de família representam lócus especial de pesquisa, porque lidam com questões muito delicadas nas relações humanas de famílias que se reorganizam, tais como custódia e sustento de filhos, divisão de bens, relacionamento pais e filhos, relacionamento entre os pais etc., nas quais estão envolvidos juízos de valores de ações passadas cometidas pelo outro, carregadas, forçosamente, de sentido moral. Em termos de materialidade verbal da fala dos participantes de encontros de mediação, um tipo de ação central é a de reclamar, entendida como “expressar sentimentos de descontentamento com relação a algum estado de coisas, para os quais a responsabilidade pode ser atribuída a alguém” (HEINEMANN & TRAVERSO, 2009, p. 2381). Ao reclamar, algo que foi vivido como um problema em uma experiência pessoal é transformado em dificuldades interpessoais abertamente reconhecidas (EMERSON E MESSINGER, 1977). Frequentemente, os mediadores precisam lidar com as reclamações feitas pelos participantes sobre o outro (presente ou ausente na interação). Drew (1998) reporta que, ao descrevermos nossa conduta e a dos outros na vida social exibimos a (des)honestidade, (in)adequação de uma ação. Assim, reclamar, como ação social, está sujeita aos participantes (inclusive a mediadora) usarem juízo de valor para julgarem suas próprias ações e as ações dos outros. Interessamo-nos pela moralidade mundana, entendida como "as práticas da vida cotidiana em que as pessoas misturam avaliações morais, um senso de certo e errado, culpa e culpabilidade, etc., com contas e descrições comuns de pessoas, ações, e eventos” (STOKOE & EDWARDS, 2014, p. 165). Assim, entendemos que o trabalho moral é parte do fazer profissional, e ordens morais são mobilizadas, formatadas reflexivamente e realizadas em eventos interacionais reais em contextos institucionais. Nosso objetivo reside, então, primordialmente, em descrever o raciocínio e o trabalho moral que emergem nas reclamações formuladas pelas partes, e como a mediadora lida com elas. Em inspiração aplicada, pretendemos relacionar nossos achados com possibilidades de aplicação na formação de mediadores. Utilizamos o arcabouço teórico-metodológico da Análise da Conversa, em pesquisa de tipo qualitativo, com dados reais de fala-em-interação de três casos de mediação familiar judicial.

Divulgação científica

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