Faculty


Prof. Dr. Rodrigo Borba


Pós-Doutorado

Instituição: Department of English Language and Applied Linguistics, University of Birmingham:
Projeto: Identiy and interaction in trans-specific healthcare
Período: janeiro a julho de 2015

Instituição: Universidade de Oxford
Período: outubro de 2017 a setembro de 2018
Título do projeto: Language politics, gender politics: Linguistic activism and acts of citizenship in contemporary Brazil

Doutorado

Programa de Pós-graduação Interdisciplinar de Linguística Aplicada na Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2014. Orientador: Luiz Paulo da Moita Lopes. Tese: (Des)Aprendendo a "ser": trajetórias de socialização e performances narrativas no Processo Transexualizador

Áreas de interesse

Linguística aplicada, linguística queer, antropologia linguística, sociolinguística qualitativa, feminismos e teorias queer, análise da conversa, análise crítica do discurso, linguagem gênero e sexualidade, interação médico-paciente, etnografia linguística, linguística de corpus.

Projetos de pesquisa encerrados

(Des)aprendendo a ser: trajetórias de socialização e a (meta)pragmática da (des)identificação social (2014-2019)

Projetos de pesquisa em andamento

Políticas de língua, políticas de gênero: Ativismo linguístico e atos de cidadania no Brasil contemporâneo (2019- atual)

Resumo: Este projeto de pesquisa investiga a relação, nem sempre pacífica, entre língua, sociedade e cidadania no contexto do ativismo feminista e LGBTIQ brasileiro. Embora tais movimentos e suas agendas de intervenção social já sejam robustos em nosso país, seu recente interesse pelo funcionamento da língua e como ela está intimamente entrelaçada a estruturas opressoras (sexismo, patriarcado e heteronormatividade) tem movimentado mudanças no sistema linguístico. Nesse contexto, a pesquisa via investigar (1) inovações de gênero gramatical e (2) os discursos que os rodeiam e (in)forma seus usos. Por inovações de gênero gramatical entendo modificações que mexem na estrutura da língua e bagunçam de certa forma o sistema de gênero que é tido como estável e arbitrário. Algumas dessas inovações incluem, por exemplo, o uso de estruturas disjuntivas do sintagma nominal (e.g. todos e todas; alunos e alunas etc.), o uso do “@” para substituir a desinência de gênero de substantivos e adjetivos (e.g. tod@s alun@s), o apagamento do gênero gramatical pelo uso do “x” (e.g. todxs aluxs), a generificação gramatical pelo uso de “e” (e.g. todes alunes) dentre muitas outras. O recente (porém, profícuo) ativismo linguístico feminista e LGBTIQ, ao mexer com a língua, também gera uma plêiade de reações a favor e contra tais mudanças. Tais reações envolvem práticas de higiene verbal (Cameron, 2012) que visam limpar a língua, higienizá-la de forma a fazê-la conformar com seus ideais de beleza, elegância e lógica. O estudo de tais práticas mostra que a língua não é uma questão secundária para entender momentos históricos de turbulência social e política. Nesse sentido, estudar discursos sobre essas inovações de gênero gramatical pode nos ajudar a entender como usuários dessa língua enfrentam e (re)organizam o social. A pesquisa, assim, pretende investigar, em simbiose analítica, a estrutura da língua e os discursos que a rodeiam. O confronto analítico entre questões técnicas e estruturais e questões ideológicas tem o potencial de criar inteligibilidade sobre mudanças em curso tanto no nível do sistema quanto no nível social. Afinal, mudar a língua pode mudar o social? Como mudança linguística e mudança social se relacionam? Enfrentar essas questões a partir da análise do ativismo linguístico feminista e LGBTIQ contribuirá, então, para produzir conhecimento socialmente engajado sobre a relação entre língua, sociedade e cidadania. O estudo tem, portanto, potencial de contribuir para (1) a compreensão linguística e visibilidade sócio-antropológica de movimentos sociais contemporâneos que fazem da língua falada e escrita um de seus instrumentos de intervenção política, (2) o fomento do debate tanto teórico quanto analítico sobre a relação entre língua, sociedade, política e cidadania, aproximando o conhecimento acadêmico dos ativismos feminista e LGBTIQ e (3) a construção de conhecimento sobre mudanças linguísticas e transformações sociais com implicações tanto para o ativismo linguístico quanto para um ensino de português mais socialmente engajado, trazendo embates sócio-políticos para dentro campo linguístico.

Divulgação científica

https://www.youtube.com/watch?v=AyGmir8ebPk&t=133s

https://epoca.globo.com/elus-sao-eles-elas-23239067